Escatologia medieval
Dominação, profetismos e medo
Resumo
O tema escatologia, isto é, sobre os últimos acontecimentos da história da humanidade, não é um assunto de exclusividade da esfera do cristianismo. Vemos, no judaísmo, antes mesmo de a fé cristã surgir, e noutras culturas, povos e religiões, a preocupação com o final dos tempos. No que diz respeito à escatologia medieval, ainda há carência de textos e reflexões sobre o assunto, o que motivou a escrita deste artigo. Assim, nesta reflexão, buscou-se apresentar o ambiente cristão e, especificamente, o mundo medieval, quando a Igreja cristã havia se consolidado hegemonicamente, dominadora e manipuladora do sagrado. Para entendermos um pouco esse assunto — pois, obviamente, não temos como ser exaustivos, devido à própria complexidade do tema — traçou-se um percurso, que começará entendendo como a Igreja se tornou essa voz quase que exclusiva no medievo. Além disso, abordam-se alguns profetismos vigentes na época, isto é, as vozes anunciadoras do fim que ecoaram e se fortaleceram nesse contexto medieval. E, por fim, o que isso ocasionava no grande público, a saber, o medo que se alojava nos fiéis, pois, em vez de ser uma mensagem de esperança e segurança para aqueles que estão sob a fé do Cristo, trouxe pânico e a consolidação do domínio da Igreja. Esses objetivos surgiram diante da pergunta que o artigo se propôs a responder: Como a Igreja cristã medieval tratou do tema escatologia? E, com a pesquisa, observou-se, além de previsões equivocadas, uma mensagem não de esperança, mas de medo, e mais um meio de a Igreja medieval dominar os fiéis.